quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Balbúrdia PoÉtica

Balbúrdia PoÉtica 12

Dia 14 de março 19h

Casarão Centro Cultural

Rua Salvador Correia, 117

Campos dos Goytacazes-RJ

Uma homenagem ao Poeta Castro Alves

no Dia Nacional da Poesia

com Artur Gomes, Adriana Medeiros e Dalton Freire

Marçal Tupã

 

poema de Artur Gomes

dos livros: Suor & Cio - 1985

Pátria A(r)mada - 2022

musicado e gravado

por Paulo Ciranda

 *

meu coração marçal tupã

sangra tupy & rock and roll

meu sangue tupiniquim

em corpo tupinambá

samba jongo maculelê

maracatu boi bumbá

a veia de curumim

é coca cola e guaraná

* 

clique no link para ver o vídeo

https://www.youtube.com/shorts/Boc9bqDOSms

Por Onde Andará Macunaíma?

*

Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 – zap

Produção: Nilson Siqueira

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fulinaimanicamente voz digo

https://fulinaimamultiprojetos.blogspot.com/


Balbúrdia PoÉtica 14

Dia 31 de maio - no Museu do Sal

São Pedro de Aldeia-RJ

Poeta Homenageado: Tanussi Cardoso

Performance PoÉtica

com Tanussi Cardoso, Artur Gomes, Adriana Medeiros, Dalton Freire, José Facury Heluy e Jorge Ventura - entre outros.


SUBSTANTIVOS

 

faca é faca

pão é pão

fome é fome

amor é amor

estranho desígnio das coisas

de serem exatamente elas

quando as olhamos sem paixão

 

Tanussi Cardoso


A poesia pulsa

para Tanussi Cardoso

aqui

a poesia pulsa

na veia

no vinho

no peito

no pulso

na pele

nos nervos

nos músculos

nos ossos

posso falar o que sinto

posso sentir o que posso

aqui

a poesia pulsa

nas coisas

nos códigos

nos signos

os significantes

os significados

aqui

a poesia pulsa

na pele da minha blusa

na íris dos olhos da minha musa

toda vez que ela me usa

nas iguarias de Bento

quando trampo mais não troco

quando troco mas não trapo

nas pipas

nos vinhedos nos arcos

nas madrugadas dos bares

sampleando o bolero blues

rasgado num guardanapo

o poema pra Juliana

escrito na cama do quarto

no copo de vinho

na boca de Vênus

na bola da vez da sinuca

sangrada pelo meu taco

aqui

a poesia pulsa

nos cabelos brancos da barba

nas gargalhadas de Bacca

na divina língua de Baco

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

Editora Penalux – 2020

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Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 - zap

Curadoria: Lis Badu

Produção: Nilson Siqueira

Direção: Artur Gomes

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Por Onde Andará Macunaíma?

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*

 Balbúrdia PoÉtica 13

Poetas Homenageados:

Ademir Assunção e Frederico Barbosa

À Memória de Oswald de Andrade

Última semana de Abril

Data e local – definição está aos cuidados do curador – Cesar Agusto de Carvalho

 

TANTO ÓDIO CARLOS

 

o mundo é grande

 e tem extremos

 

tem estrela e tem estrume

tem perfume e tem veneno

 

tem dias a gente ama

tem dias a gente briga

 

mundo vasto mundo

mundo malo mundo bueno

 

não me chamo raimundo

mas algo estranho me intriga

 

como cabe tanto ódio

num caráter tão pequeno

 

Ademir Assunção

do livro

Risca Faca (2021)

editora Demônio Negro

https://www.demonionegro.com.br/product/risca-faca/


Por Onde Andará Macunaíma?


Fulinaíma MultiProjetos

22 – 99815-1268

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fulinaimanicamente foz digo

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Oxum me disse

 

tenho esperança

assim como criança

que algum dia desses

não será só esse coelho

                   no meu colo

Oxum me disse

 

Rúbia Querubim

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Blackbird

 

Um pássaro sonâmbulo

voando na chuva

trazendo no bico

um relâmpago.

Tem pressa

de atravessar a madrugada.

Sabe que só existe dentro do meu sonho.

Ele bica a minha pálpebra

e eu acordo assustada

 

Kalu Coelho

poema do livro – O silêncio é a música mais antiga do mundo

Patuá - 2025


                cada lugar na sua coisa

 

Um livro de poesia na gaveta
Não adianta nada
Lugar de poesia é na calçada
Lugar de quadro é na exposição

Lugar de música é no rádio
Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Lugar de samba-enredo é no asfalto

Aonde vai o pé, arrasta o salto
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Aonde a pé vai, se gasta a sola
Lugar de samba-enredo é na escola

 

Sérgio Sampaio

clique no link para ouvir

https://www.youtube.com/watch?v=Gk0r77JTzp8&list=RDGk0r77JTzp8&start_radio=1

Eu Quero è Bota Meu Bloco Na Rua

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https://www.youtube.com/watch?v=P78TIRJ9Iak&list=PLyRt6UrE4Q4vthdsmRqJYAMHjRN1LHDih

Fulinaíma MultiProjetos

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Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de MIM

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 fulinaimanicamente falando

voz digo : Itabira

a nossa senhora da conceição

do mato dentro me engoliu

inteiro como uma sucuri

quando engole um boi

à beira do amazonas

ontem me perdi na zona

com Maria Antonieta

voltamos  de bicicleta

não passa uber por aqui

nas madrugadas nem fomos de táxi

porque também não tem

iluminação pública inexiste

nos salvou da escuridão

um bando de vagalumes boêmios

com suas lanternas sob as asas

 

Federico Baudelaire

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https://uilconpereira.blogspot.com/

*

Que delícia de texto!  Federico mistura elementos da natureza, da cultura e da vida noturna de uma forma surreal e poética.

A imagem de Itabira como uma "sucuri que engole um boi" é poderosa e sugere uma cidade que absorve as pessoas, talvez de forma intensa e avassaladora. A menção a Maria Antonieta e a volta de bicicleta pela "zona" (provavelmente uma área boêmia) cria um clima de aventura e liberdade.

A ausência de Uber táxi, e a falta de iluminação pública, contrasta com a salvação trazida pelos "vagalumes boêmios com suas lanternas sob as asas", que pode ser interpretada como a poesia, a arte ou a própria imaginação salvando as pessoas da escuridão.

Federico Baudelaire é um pseudônimo interessante, misturando referências a Federico García Lorca e Charles Baudelaire, ambos poetas que exploraram temas de amor, morte e a condição humana.

O que você acha que os "vagalumes boêmios" representam nesse contexto? Ou é mais uma imagem poética para criar um clima?

Irina Fulinaímica

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um grito à beira mar

ele me avisou que vinha para o peixe frito mas não veio, tem me deixado louca, grito à beira mar de Iriri mas aqui, nem Yemanjá me ouve. mas houve um tempo em que ele vinha e tinha minhas mãos meus seios ao seu dispor inteiros como quem se oferece ao amor em plena liberdade, mas foi o tempo com ele só ficou a dor no desejo a espera

 

Rúbia Querubim

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https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/

*

Entendo que você está compartilhando um texto poético e pessoal, relacionado a sentimentos e experiências emocionais profundas, e querendo uma resposta que respeite o tom lírico e introspectivo. 

Seu grito à beira-mar ecoa como um chamado ao desconhecido, um desejo que não se concretiza, deixando apenas a dor da espera e do desejo não realizado. A menção a Yemanjá, figura mítica associada ao mar e aos sentimentos, sugere uma busca por consolo ou resposta nas forças da natureza e da espiritualidade, mas mesmo essa entidade parece não ouvir seu apelo. 

A poesia expressa a complexidade do amor, do desejo e da perda, onde o tempo transforma o acesso à plenitude em uma memória de dor e anseio. Rúbia Querubim, como referência a um nome ou símbolo, pode representar a própria essência desse sentimento de entrega e espera.

Se você deseja explorar mais sobre a interpretação desse texto ou sobre como lidar com sentimentos de perda e desejo não realizado, posso ajudar a refletir sobre estratégias de expressão emocional ou sobre a análise literária do texto. Você quer: 

1. Uma análise mais profunda do simbolismo no seu texto poético?

2. Sugestões de como lidar com sentimentos de dor e espera?

3. Informações sobre o blog mencionado ou sobre poesia lírica em geral?

Gostaria de uma interpretação do texto  da Rúbia Querubim 

Entendo que você está compartilhando um texto poético e pessoal, relacionado a sentimentos e experiências emocionais profundas, e querendo uma resposta que respeite o tom lírico e introspectivo.

Seu grito à beira-mar ecoa como um chamado ao desconhecido, um desejo que não se concretiza, deixando apenas a dor da espera e do desejo não realizado. A menção a Yemanjá, figura mítica associada ao mar e aos sentimentos, sugere uma busca por consolo ou resposta nas forças da natureza e da espiritualidade, mas mesmo essa entidade parece não ouvir seu apelo.

A poesia expressa a complexidade do amor, do desejo e da perda, onde o tempo transforma o acesso à plenitude em uma memória de dor e anseio. Rúbia Querubim, como referência a um nome ou símbolo, pode representar a própria essência desse sentimento de entrega e espera.

Se você deseja explorar mais sobre a interpretação desse texto ou sobre como lidar com sentimentos de perda e desejo não realizado, posso ajudar a refletir sobre estratégias de expressão emocional ou sobre a análise literária do texto. Você quer:

1. Uma análise mais profunda do simbolismo no seu texto poético?

2. Sugestões de como lidar com sentimentos de dor e espera?

3. Informações sobre o blog mencionado ou sobre poesia lírica em geral?

Irina Fulinaímica

*

Gostaria de uma interpretação do texto  da Rúbia Querubim

Federika Lispector

*

O texto de Rúbia Querubim é uma expressão intensa e emocional de um sentimento de perda e desejo não realizado. Aqui vai uma interpretação:

O "grito à beira mar" é um chamado desesperado ao amor que não veio, apesar da promessa. A imagem do peixe frito é uma metáfora para a expectativa de algo simples e prazeroso que não se concretizou. A menção a Iriri (possivelmente um lugar ou uma figura mítica) e a Yemanjá sugere uma busca por respostas ou consolo nas forças da natureza e da espiritualidade, mas sem sucesso.

O texto também explora a memória de um tempo em que o amor era possível, quando o corpo e os sentimentos estavam disponíveis para o outro. Agora, só resta a dor e a espera. A linguagem é sensual e poética, com imagens que evocam a liberdade e a entrega do amor.

Uma possível interpretação é que o texto fala da perda da liberdade de amar e ser amado, e da dor que vem com a ausência do desejo realizado. A Rúbia Querubim parece estar presa em um momento de nostalgia e saudade, buscando respostas e consolo em um passado que não pode ser recuperado.

O que você acha?

Irina Severina

*

o amor é cruel, já cantava Luiz Ribeiro na faixa do CD Fulinaíma Sax Blues Poesia, no carnaval de 2002: “cacos de vidros, pés descalços”. talvez, Rúbia Querubim, viva hoje essa sensação de pisar pelas aries de Iriri cacos  de vidros com pés descalços. e não ter esperanças para aplacar a dor do amor promessa que virou quimera, a promessa do poeta de ir para o “peixe frito”, e não comparecer deve ter deixada com fome no vazio da espera. conheço bem também essa sensação, porque já vivi esperas semelhantes, mas salguei meu pranto nas pedras selvagens da boa viagem no recife da pernambucalha.

Federika Lispector

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Que interpretação incrível!  Você traz uma perspectiva profunda e poética sobre o texto de Rúbia Querubim, conectando-o à ideia de que o amor pode ser cruel e deixar marcas, como os "cacos de vidros" que Luiz Ribeiro cantava. A imagem de Rúbia Querubim pisando pelas areias de Iriri com pés descalços, sentindo a dor dos cacos de vidro, é uma metáfora poderosa para a vulnerabilidade e a dor do amor não correspondido.

A ideia de que a promessa do poeta virou "quimera" é uma reflexão triste sobre as expectativas desfeitas e a dor da espera. E a imagem de ter "fome no vazio da espera" é uma expressão forte da sensação de falta e insatisfação.

Você também compartilha sua própria experiência de lidar com esperas semelhantes e encontrar um modo de lidar com a dor, "salguei meu pranto nas pedras selvagens da boa viagem no recife da pernambucalha". É como se você estivesse dizendo que, apesar da dor, é possível encontrar um caminho para lidar com ela, mesmo que seja através da expressão poética ou da conexão com lugares e memórias. 

Federika Lispector, você acha que a poesia é uma forma de aplacar a dor do amor e da espera, ou é mais uma maneira de expressar e lidar com essas emoções?

Irina Amaralina

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Filme brasileiro O Agente Secreto recebe 4 indicações ao Oscar. Entre elas: melhor filme e Wagner Moura melhor ator. Arte e Cultura brasileira em festa. Viva!

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Filme brasileiro O Agente Secreto recebe 4 indicações ao Oscar. Entre elas: melhor filme e Wagner Moura melhor ator. Arte e Cultura brasileira em festa. Viva! 

Que notícia incrível!  O Agente Secreto, filme brasileiro dirigido por Kleber Mendonça Filho, foi indicado para quatro categorias no Oscar 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura. É um grande reconhecimento para o cinema brasileiro!

O filme já havia conquistado prêmios importantes, como o Globo de Ouro e o Festival de Cannes, e agora é um dos favoritos para o Oscar. A história se passa durante a ditadura militar no Brasil e aborda temas como resistência política e dilemas pessoais.

O presidente Lula e a ministra da Cultura, Margarete Menezes, já celebraram as indicações, destacando a importância do cinema brasileiro e a necessidade de investimentos na cultura. 

Você acha que O Agente Secreto tem chances de ganhar o Oscar?

 

                      Irina Fulinaímica

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Irina Amaralina Severina Serafina

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Manhuaçu/Sacramento

 

fosse pássaro

onde voa o pensamento

Manhuaçu/Sacramento

entre as montanhas de Minas

as flores dos cafezais

os olhos dessas meninas

que esquecerei jamais

 

fosse pássaro

onde pousa o juramento

o poema um dado secreto

um nome que ainda não tem

fosse terra mato concreto

abstrata carne de festa

dentro da virgem floresta

onde os deuses cantam além

 

Artur Gomes

Artur Gomes - FotoGrafia

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 *

Que imagem e poema incríveis!  A foto captura uma jovem com uma câmera, simbolizando a busca pela arte e pela expressão pessoal. O poema de Artur Gomes é uma mistura de natureza, memória e poesia, conectando lugares como Manhuaçu/Sacramento com sentimentos e experiências profundas.

A referência a "Manhuaçu/Sacramento" e às "montanhas de Minas" evoca a beleza natural do interior de Minas Gerais, enquanto "os olhos dessas meninas que esquecerei jamais" sugere uma conexão emocional forte com pessoas e lugares.

O poema também brinca com ideias de transformação ("fosse pássaro onde voa o pensamento") e de segredo ("um dado secreto um nome que ainda não tem"), mostrando a complexidade da experiência humana e da arte.

Você acha que a fotografia, como na imagem, pode ser uma forma de poesia visual, capturando momentos e sentimentos de maneira semelhante à escrita de poemas?

Irina Fulinaímica

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 Aline

 

 dona do sacramento

mata minha fome

 fiz um juramento

de em nenhum momento

deixar de pecar em teu nome

 

Artur Gomes

Que verso intenso e apaixonado! A declaração de amor e desejo em "Aline dona do sacramento" é quase uma oração, um juramento de entrega e paixão. A imagem de "mata minha fome" sugere uma necessidade profunda, quase vital, de estar com Aline.

A parte "fiz um juramento de em nenhum momento deixar de pecar em teu nome" é uma confissão ousada, como se o amor por Aline fosse um pecado delicioso e valesse a pena ser cometido.

Esse verso parece ser uma expressão de amor intenso, quase transgressor, onde o "pecar em teu nome" é uma forma de louvar a paixão e a entrega a Aline.

Você acha que esse tipo de expressão de amor, quase como um "pecado sagrado", é comum na poesia brasileira, ou é mais uma característica particular desse poema de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

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Eu pecador me confesso: em 2011 fui convidado para o projeto Circuito Cultural de Arte Entre Povos, para fazer performances e dirigir uma Oficina de Produção  Cine Vídeo Poesia. O profano par mim é muito mais que sagragado.

Percorremos 13 cidades, pelo Estado do Rio de Janeiro, Minas Geraes e Espírito Santo. Em cada uma dessas cidade percorridas, a poesia foi sendo criada de acordo com as vivências experimentais em cada uma delas. Em Manhuassu/Sacramento cidade de Minas Geraes, a Oficina de Produção Cine Vídeo Poesia,  teve a presença de Aline, uma jovem fotógrafa que me desconcertou corpo e alma. Durante a realização da Oficina reviramos Manhuassu/Sacramento de pés a cabeça, e o resultado poético não poderia ser outro. 

Artur Gomes

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Que história incrível! Você foi parte de um projeto cultural incrível, o Circuito Cultural de Arte Entre Povos, levando poesia, performance e oficina para 13 cidades em três estados. E em Manhuaçu/Sacramento, Minas Gerais, a poesia encontrou Aline, uma jovem fotógrafa que te "desconcertou corpo e alma".

A forma como você descreve a experiência é quase como um encontro mágico, onde a poesia foi criada a partir das vivências e experimentações em cada cidade. A presença de Aline parece ter sido um ponto alto dessa jornada, inspirando criações e mexendo com você de uma forma profunda. 

A frase "O profano par mim é muito mais que sagrado" é uma chave para entender como você vê a arte e a poesia: como algo que transcende o cotidiano e toca o âmago das coisas.

Você acha que experiências como essa, de criar poesia e arte em movimento, em contato com pessoas e lugares, são fundamentais para a criação artística?

Irina Fulinaímica

*


 porrada lírica

é quando minha língua

bem satírica

beija tua boca do inferno

dessa terra com  veneno

de manhã visto meu terno

e tomo esse café pequeno

que muitas mãos negras

colheram nos cafezais

de minas ou espírito santo

mais o que sobra para essas mãos

no entanto

não dá nem para o café

de fome ainda morrem

e engolem o pranto

 

Rúbia Querubim

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distante teresina

 

numa tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele, na poesia experimental Torquato  dentro, 10 de dezembro de 1994 a Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.

 

Artur Gomes

*

Obs.: esse poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim

                   EuGênio Mallarmè 

*

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nas Encruzilhadas do SerAfim

rente a pele contra o muro

        eu te grafito no escuro

 

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva

- 1987

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A Biografia de Um Poeta Absurdo 

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Nas Encruzilhadas do SerAfim

                                 

Herbert Emanuel, poeta e integrante do Tatamirô da Poesia

Entre as pedras de Itabira e os desvãos de São Paulo ou do Rio, nas curvas do rio Itabapoana e nos becos da favela, existe um lugar poético onde todos os tempos e todos os mitos convergem. Este lugar é a língua afiadíssima de Artur Gomes. Em “Drummundana Itabirina: por onde andará macunaíma?”, não estamos diante de um simples livro de poemas, mas de uma encruzilhada viva da palavra. Aqui, a poesia se revela como um ato de antropofagia afetiva, devorando tradições para cuspir de volta um verso que é puro corpo, puro grito e puro ritual.

Artur Gomes nos oferece uma obra que é herdeira direta  de várias linhagens. Esta apresentação é um convite para atravessar essa ponte, essa “Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio”, que ele constrói entre a tradição e a ruptura, citando exclusivamente o universo que nasce de seus próprios versos.

Tudo começa, como não poderia deixar de ser, em Itabira. Mas a Itabira de Artur Gomes é uma “Drummundana Itabirina”, um território ampliado e metamorfoseado. Se Carlos Drummond de Andrade carregou a pedra como fardo, como obstáculo, Artur Gomes a faz voar: “pedra que voa”, ele anuncia, transformando a matéria bruta em pássaro poético. Ele não se contenta em contemplar o “sentimento do mundo”; ele o perfura, buscando na “carne da palavra / nasce o poema” o endereço do verso. Seu lirismo é injetado com um sopro de inquietação quântica: “ela me chega assim bailarina / como uma tarde de música / envolta em física quântica”. A pergunta do título, “por onde andará macunaíma?”, lançada sobre o solo drummondiano, é o fio que nos levará a todas as outras confluências.

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, não é uma figura do passado. Ele é um rastro, um fantasma ativo que o poeta persegue. O poema que dá nome ao livro narra justamente esse percurso:

“É bem verdade que em 2022 / Macunaíma passou pela Geleia Geral… / rumou para as quebradas… / foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.”

Este trecho é um manifesto. A “Geleia Geral” é a herança tropicalista, a poética de Torquato Neto que Artur Gomes absorve ao “experimentar o experimental”, conforme revela no verso que abre seu processo criativo: “certa vez disse-me Wally Salomão: / ‘experimentar o experimental’ / enquanto lia Torquato”. A experimentação da linguagem, o coloquialismo cortante e a devoração crítica da cultura são o método. Como seus mestres, ele entende a poesia como um campo de batalha e de festa, afiando a “carNAvalha” — junção explosiva de Carnaval e navalha — para cortar os “panos da mortalha” do convencional.

Mas não há revolução na forma sem uma corrosão profunda do corpo e do  espírito. Ou melhor: do corpoespírito. A isso chegam os poetas malditos. Artur Gomes não os cita por erudição; ele os incorpora, antropofagicamente. Em “vou-me embora pra girona”, ele declara sua filiação direta e transgressora: “EuGênio Mallarmè vou-me embora pra girona” e, mais adiante, grita “Federico Baudelaire”, fundindo Bandeira, Mallarmè  e o autor de As Flores do Mal em um só grito. Se Baudelaire buscava o spleen nas ruas sujas de Paris, Artur vasculha o asfalto onde “o relógio de músculos / move o sangue no asfalto”. Se Rimbaud almejava a desregração de todos os sentidos, esta poesia é um manual prático, onde “a lâmina do desejo / corta os panos da mortalha”. A imagem visceral, a beleza que nasce da podridão, são marcas comuns, consumadas no “banquete antropofágico” onde a musa “mastigando poemas meus”.

No centro desse turbilhão, ergue-se a contribuição mais original de Artur Gomes: a poética do corpo como território último da linguagem. Seu verso não é apenas dito; ele é dançado, suado, sangrado. Ele declara: “poesia é meta física / meta quântica”, para em seguida nos mostrar que essa física se faz na carne:

“no carnaval de Madureira / nasce entre a carne a medula o / sangue a nervura da alma e a / escritura dos ossos”

Aqui, todas as linhagens se fundem. O corpo carnavalizado é a resposta à pergunta por Macunaíma. É a herança, a crítica social, a festa antropofágica, o êxtase e a agonia. A palavra se torna gesto, o poema se torna “um beijo na boca”. A linguagem é um ato de presença física, de resistência: “ainda estamos aqui”. E o poeta, longe de ser um ilhado, proclama sua natureza coletiva: “poeta é país não é ilha”.

Caro leitor, você segura nas mãos um mapa de navegação para um Brasil (ou Brasis) profundo.  “Drummundana Itabirina” não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, ele afia a carNAvalha das perguntas e das inquietações.  Artur Gomes nos convida a uma jornada onde somos, ao mesmo tempo, a pedra e o voo, o herói perdido e o poeta que busca sua Pasárgada.

Aceite o convite. Deixe-se levar por estas páginas onde “a pedra que rola sob o leito do rio” se revolta e voa. Mergulhe nesta poesia que é, acima de tudo, um ato de coragem: a coragem de “experimentar o experimental”, de devorar, de cortar, de cantar. A viagem é visceral. A recompensa é o descobrimento de que a poesia ainda é a linguagem mais capaz de dizer quem somos — em toda a nossa complexidade, beleza e ferida aberta.

Agora, vire a página. O banquete está servido.

                                                                                                  Mazagão, 04 de janeiro de 2026.

Herbert Emanuel além de professor de filosofia, é poeta amapaense, com diversos livros publicados. Sua produção literária se destaca pela densidade lírica, pelo diálogo constante com a tradição poética brasileira e universal e por uma escrita marcada pela reflexão crítica sobre linguagem, memória, identidade e território. Além da atuação como escritor, desenvolve trabalho performático com poesia sonora, explorando a voz e o corpo como extensões do poema. É integrante do coletivo Tatamirô da Poesia, com o qual participa de ações literárias, performances e intervenções culturais, afirmando-se como uma voz significativa da literatura contemporânea da Amazônia e do Brasil.

*

Que apresentação incrível!

Herbert Emanuel faz uma análise profunda e poética da obra de Artur Gomes, destacando a complexidade e a riqueza da sua linguagem.

A ideia de que a poesia de Artur Gomes é uma "encruzilhada viva da palavra" é muito apropriada, sugerindo que ela é um lugar de confluência de diferentes tradições e influências. A referência à antropofagia afetiva é também muito interessante, destacando a capacidade da poesia de devorar e transformar diferentes elementos.

A análise da relação entre Artur Gomes e outros poetas, como Drummond, Mário de Andrade e Baudelaire, é muito esclarecedora, mostrando como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição mais ampla. 

A ênfase na poética do corpo como território último da linguagem é também muito importante, destacando a forma como a poesia de Artur Gomes explora a relação entre o corpo e a linguagem.

A apresentação é um convite para mergulhar na poesia de Artur Gomes, destacando a complexidade e a beleza da sua linguagem. Você acha que essa apresentação ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais uma camada de complexidade adicionada ao livro?

E o que você sente ao ler essa apresentação? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

Irina Fulinaímica


Balbúrdia PoÉtica

Balbúrdia PoÉtica 12 Dia 14 de março 19h Casarão Centro Cultural Rua Salvador Correia, 117 Campos dos Goytacazes-RJ Uma homenagem ao Poeta  ...